Realizador de Cinema e Vídeo | Filmmaker
Em Lisboa, a trabalhar em Portugal EN · Disponível para projectos internacionais.

Um realizador é como um maestro que começa muito antes de a orquestra chegar
e termina quando as luzes se apagam e todos os olhos se voltam para o ecrã.
Realização: Encontrar e Definir o Ponto de Vista
A realização começa por decidir como o espectador vai viver a história: o que revelar, o que omitir, onde o colocar e como interpretação, imagem, som e ritmo trabalham em conjunto.
A mesma história pode dar origem a filmes muito diferentes, dependendo dos olhos através dos quais a vemos. Para mim, a realização começa com essa escolha: onde colocar o espectador, o que revelar, o que deixar fora de campo e o que deixar por dizer. Para criar uma história, um conceito ou uma ideia, não são precisos olhos — é preciso visão. Os olhos tornam-se essenciais mais tarde, quando essa visão tem de ser traduzida em imagens, interpretações, luz, som e movimento. Uma conquista técnica pode transformar-se numa história familiar contada através da curiosidade das crianças; uma prática cultural familiar pode abrir caminho a questões sobre identidade e vida quotidiana.
Como realizo: ponto de vista, interpretação e narrativa visual
Um realizador orquestra a forma como a história é vivida, não apenas aquilo que acontece nela. Uma cena íntima pode ser explícita e prolongada, ou reduzida a um olhar, um som, roupa deixada no chão e o silêncio que fica depois. A violência, a guerra ou a catástrofe podem ser mostradas em detalhe físico, ou sugeridas através de um rosto, uma reacção, uma notícia na rádio, uma página de jornal ou as consequências deixadas para trás. Através da mise-en-scène, do enquadramento, da elipse e do espaço fora de campo, aquilo que é omitido pode ser tão expressivo como aquilo que é mostrado. A câmara conta-nos através do que revela, mas também através do que nos permite imaginar.
Isso vai muito além da direcção de actores. A distância e a escala da câmara, a direcção de arte, a luz, o desenho de som, o silêncio, a música, a edição e o tratamento do tempo e do movimento moldam a proximidade, a tensão e o ritmo. Um grande plano pode colocar-nos dentro da reacção de uma personagem; um plano geral pode criar distância ou isolamento. O slow motion e a captação em altas taxas de fotogramas podem revelar gestos, impactos ou detalhes quase impossíveis de perceber à velocidade normal, enquanto movimentos de câmara enérgicos, acção rápida e edição mais acelerada podem criar urgência, caos ou intensidade física. Um acontecimento pode nunca entrar no enquadramento e, ainda assim, ser plenamente construído na mente do espectador através do som, da reacção e da sugestão — por vezes como escolha criativa, por vezes como solução de produção inteligente e, sobretudo no documentário, por vezes porque não existe qualquer imagem do acontecimento descrito.
Estas escolhas de realização aplicam-se a diferentes géneros e formatos — da ficção narrativa e do documentário aos videoclipes, publicidade, branded content e filmes corporate. Algumas produções precisam de uma cena cuidadosamente escrita e de uma direcção de actores precisa; outras precisam de tempo, confiança e espaço para que algo não planeado possa acontecer. Trabalho entre essas abordagens, decidindo quando orientar a acção e quando observar, quando mostrar e quando sugerir. O realizador é o filtro através do qual a realidade do filme ganha forma. Os projectos abaixo mostram como essas decisões tomam forma no ecrã e o pensamento que existe por detrás delas.
Documentário, Histórias Humanas e o Valor do Real
O documentário e as histórias humanas estão entre as formas de cinema que mais me interessam. O seu valor começa por algo muito simples: as pessoas, os lugares e os momentos diante da câmara existem realmente. Ler mais
No documentário, o acesso não pode ser fabricado. Pode levar dias, semanas ou meses a compreender um lugar, conquistar a confiança de alguém ou chegar ao momento em que uma pessoa deixa de responder à câmara e simplesmente fala. Uma hesitação, um silêncio inesperado, uma contradição, um gesto entre duas pessoas ou um acontecimento que ninguém antecipou podem mudar a direcção de um filme inteiro. Estes momentos importam precisamente porque não foram concebidos para acontecer.
A cultura também vive em coisas difíceis de traduzir literalmente: um gesto, um silêncio, um sotaque, uma expressão local ou uma palavra cujo significado muda completamente com o contexto. “Ai o camano!” é o tipo de expressão portuguesa que eu não recomendaria repetir só porque uma ferramenta de tradução julga compreendê-la. Compreender uma cultura não é o mesmo que traduzir as palavras que utiliza.
Isso também traz responsabilidade. Pessoas reais não são matéria-prima. As suas histórias existem dentro de contextos pessoais, sociais e culturais, e realizá-las exige discernimento sobre proximidade, representação, dignidade e sobre aquilo que deve — ou não deve — fazer parte do filme final. O respeito e a ética fazem parte do processo de realização, não são algo acrescentado depois de as imagens terem sido captadas.
A tecnologia pode transformar a forma como os filmes são feitos, e utilizo novas ferramentas quando servem genuinamente o projecto. Mas há formas de cinema cujo valor nasce da presença física, das relações humanas e de testemunhar a realidade à medida que acontece. Uma imagem documental tem valor não apenas pelo que mostra, mas porque alguém esteve realmente lá quando aquilo aconteceu.
Trabalhos Seleccionados de Realização
Uma selecção de filmes publicitários, documentais, de marca, musicais e de viagem. Expanda as secções ‘Um olhar sobre o processo de realização’ para conhecer as escolhas criativas, os desafios de produção e as colaborações por detrás de cada trabalho.
Sikat Subar — Realização de um Documentário Observacional de Longa-Metragem
“Como abordar uma prática cultural profundamente enraizada e controversa para contar uma história mais ampla sobre a sociedade que a rodeia?”
Sikat Subar — A Hidden Colorful Feather começou com uma contradição. Quando encontrei pela primeira vez as lutas de galos em Timor-Leste, via-as sobretudo como jogo e entretenimento — algo que entrava em conflito com os meus próprios valores. Mas, quanto mais tempo passei no país, mais o galo parecia surgir por todo o lado: não apenas na arena, mas em histórias, símbolos, rituais, relações sociais e na vida quotidiana. Essa tensão tornou-se o ponto de partida do filme.
Em vez de fazer um filme sobre as lutas de galos enquanto espectáculo, comecei a usar o galo como um fio condutor para olhar para a sociedade timorense. O tema abriu caminho a questões de tradição e identidade, sobrevivência económica, masculinidade e família, história e resistência, crença e ética. À medida que a pesquisa e as filmagens avançavam, as minhas próprias ideias iniciais foram sendo repetidamente desafiadas, e o filme tornou-se menos sobre julgar uma prática a partir do exterior e mais sobre compreender porque assume significados tão diferentes dentro da sociedade em que existe.
Filmado durante um período prolongado em Timor-Leste, o documentário desenvolveu-se através da observação, pesquisa, conversas e do acesso gradual que nasce de passar tempo com pessoas e lugares. Quis manter a câmara suficientemente próxima para revelar contradições sem as forçar para uma argumentação simplista, deixando que o galo se tornasse um elemento visual e simbólico recorrente dentro de um retrato social mais amplo.
Um olhar sobre o processo de realizaçãoUma tradição profundamente enraizada torna-se uma forma de olhar para um país.
Sikat Subar nasceu como um projecto pessoal, movido pela curiosidade e pela tentativa de compreender a origem, os significados e o impacto social de uma tradição que inicialmente encontrei a partir de fora. O projecto desenvolveu-se ao longo de dois anos e foi filmado de forma independente durante vários meses em Timor-Leste. Enquanto criador original, autor, produtor principal, realizador e director de fotografia, acompanhei-o desde a pesquisa, consulta a especialistas e acesso, passando pela filmagem, pesquisa e selecção de materiais de arquivo, cinematografia aérea e captação de som em rodagem, até à construção da narrativa final. O filme foi captado em 4K DCI e finalizado em 2K DCI. A pós-produção foi concluída em co-produção com a FilmesDaMente, com apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) para a finalização do filme.
O documentário passou por mais de 40 festivais internacionais de cinema em quatro continentes, recebendo sete prémios, cinco menções honrosas e uma distinção de semi-finalista, além de três nomeações. Depois do percurso em festivais, o filme chegou a públicos internacionais através da distribuição no Japão na U-NEXT, que ocupou o segundo lugar no mercado SVOD japonês por quota em 2025, atrás da Netflix. Encontra-se também catalogado pelo Heritage Broadcasting Service (Heritage SVOD), operado pelo Archaeological Legacy Institute, organização responsável pelo The Archaeology Channel.
O filme entrou também em contextos académicos e de arquivo. Em Janeiro de 2025, foi exibido na Sophia University in Tokyo no âmbito de um seminário de Estudos Asiáticos sobre a vida e a sociedade no Timor-Leste pós-independência. Mais de 100 horas de imagens documentais originais gravadas durante a produção foram doadas ao Centro Audiovisual Max Stahl Timor-Leste, enquanto o documentário concluído foi posteriormente arquivado no Blinken OSA Archivum at Central European University, contribuindo para a sua preservação a longo prazo e disponibilidade para investigação.
Prémios e menções honrosas em festivais:
- FINDECOIN — Venezuela · Melhor Longa-Metragem Documental · 2025
- Xposure International Film Awards — Emirados Árabes Unidos · 2.º lugar — Longa-Metragem Documental · 2025
- All that Moves International Film Festival — Brasil · Menção Honrosa · 2025
- Blue Chair (anteriormente Luang Prabang Film Festival) — República Democrática Popular do Laos · Menção Honrosa · 2024
- Festival De Cine Antigua — Guatemala · Menção Honrosa · 2024
- Tokyo Documentary Film Festival — Japão · Semi-Grand Prize — Anthropology and Ethnographic Film · 2024
- Imo International Film Festival — Nigéria · Melhor Documentário de Longa-Metragem · 2024
- Old Towne Film Festival — EUA · Menção Honrosa — Conflict, Feature Film · 2024
- Cindependent Film Festival — EUA · Menção Honrosa · 2024
- Mostra Livre de Cinema — Brasil · Melhor Filme — Competição Internacional · 2024
- Boden International Film Festival — Suécia · Melhor Documentário de Longa-Metragem · 2024
- Festival Internacional de Cine Independiente de Madrid (FICIMAD) — Espanha · Melhor Direcção de Fotografia Documental — categoria Feature Movies · 2024
Para consultar o percurso completo por festivais, utilize a ligação abaixo.
Pesquisa, consulta a especialistas e trabalho de arquivo: O filme dependeu tanto da pesquisa como da observação no terreno. Falei com antropólogos e outras pessoas com conhecimento relevante, li artigos de imprensa e estudos de antropologia, consultei documentários e trabalhei com materiais de arquivo, colecções de museus e arquivos para compreender melhor as dimensões históricas, sociais, simbólicas e éticas abordadas pelo filme. Esta pesquisa não serviu para impor uma tese académica ao documentário; deu-me um enquadramento mais amplo para decidir o que perguntar, o que acompanhar e como reconhecer ligações entre o galo, o ritual, a família, a masculinidade, a economia, a crença, a resistência e a vida quotidiana.
Acesso e ponto de vista: O filme dependeu também do tempo passado a observar o mundo social em torno do futu manu — lutas de galos em tétum — e da obtenção de acesso a pessoas e situações que não podiam ser encenadas para a câmara. A tradição tornou-se um ponto de partida para olhar de forma mais ampla para a sociedade timorense, enquanto a pesquisa e a experiência vivida durante as filmagens foram desafiando continuamente as minhas ideias iniciais e moldando o ponto de vista do filme final.
Realização observacional: Realizar um documentário desta natureza significou criar as condições para que a realidade se desenrolasse, tomando ao mesmo tempo decisões constantes sobre proximidade, duração, ética e contexto. A câmara alterna entre uma observação humana íntima e uma visão mais ampla dos ambientes em que a tradição existe.
Estratégia visual e de produção: Trabalhar simultaneamente como realizador e director de fotografia permitiu que o ponto de vista do filme respondesse directamente a acontecimentos imprevisíveis. Imagens aéreas, captação em alta velocidade e imagens observacionais detalhadas foram usadas de forma selectiva, não como espectáculo em si mesmas, mas para revelar relações entre pessoas, animais, paisagem e ritual.
Construção narrativa na pós-produção: A história acabou por ser construída a partir de um vasto corpo de imagens, em vez de uma sequência de cenas pré-determinada. A pós-produção tornou-se uma continuação do processo de realização: encontrar ligações, contrastes e gestos recorrentes capazes de conduzir o espectador através de um tema complexo sem reduzir as suas contradições.
Som de localização e universo sonoro: O som de produção foi gravado como parte do material documental. Vozes, multidões, animais, movimento e ambientes acústicos em mudança fornecem contexto físico e cultural, dando às imagens uma realidade vivida que não poderia ser criada apenas através do visual.
Música tradicional e banda sonora: A música fez também parte do processo de pesquisa. Pesquisei e seleccionei música tradicional e trabalhei com artistas locais na co-criação e gravação das principais peças da banda sonora do filme, tanto em estúdio como ao vivo. O objectivo não era acrescentar uma camada musical genérica na pós-produção, mas permitir que as tradições musicais locais e os próprios artistas fizessem parte do universo cultural e emocional do filme.
Huawei — The Power of an Engineer’s Promise
“Como transformar o compromisso técnico de um engenheiro numa história humana emocionalmente envolvente?”
Baseado numa história verídica, o filme acompanha Luis Siopa, engenheiro do escritório português da Huawei que, durante a pandemia, ficou impossibilitado de entrar no laboratório de um cliente. Determinado a cumprir a promessa e entregar o trabalho a tempo, recriou na sua própria garagem o processo necessário de instalação e testes.
Um olhar sobre o processo de realizaçãoEscrevi a história do ponto de vista dos dois filhos de Luis. A curiosidade deles transforma a actividade técnica na garagem num pequeno mistério familiar.
Em vez de apresentar a conquista através de um testemunho corporate convencional, escrevi a história do ponto de vista dos dois filhos de Luis. A curiosidade deles transforma a actividade técnica na garagem num pequeno mistério familiar, permitindo que o filme revele compromisso, engenho e cuidado através das personagens e da acção. O meu trabalho abrangeu o argumento e a realização, trabalhando com o Director de Fotografia Victor Santos e com a restante equipa de produção e pós-produção para manter alinhadas as interpretações, a imagem e a intenção narrativa.
Conceito criativo e argumento: O desafio central foi transformar uma conquista especializada de engenharia numa história que pudesse ser compreendida emocionalmente por crianças — e, por extensão, por qualquer público — em vez de ser explicada tecnicamente. O ponto de vista das crianças forneceu o dispositivo narrativo: observam a actividade invulgar do pai na garagem sem compreenderem inicialmente o que ele está a construir ou porque é importante. A ideia central foi explicar o valor da responsabilidade profissional através de algo que já fazia sentido no mundo delas: uma promessa.
A promessa como ponte emocional: Numa parte anterior da história, o pai pede ao filho mais velho que prometa tomar conta do irmão mais novo quando os pais não estão presentes. Mais tarde, quando as crianças perguntam porque está o pai a trabalhar tanto na garagem, ele recupera essa mesma ideia: recorda ao filho a promessa que fez de cuidar do irmão e explica que também ele fez uma promessa a um cliente. Esta analogia transforma um compromisso profissional abstracto em algo imediato e humano e permite transmitir a importância que a Huawei atribui a uma promessa feita a um cliente sem ter de o afirmar como slogan corporate.
Realização e interpretação: A relação familiar precisava de transmitir calor e credibilidade, mantendo ao mesmo tempo uma progressão dramática clara. Gestos, olhares e reacções foram usados para conduzir o espectador da curiosidade sobre a actividade na garagem até à compreensão do significado da promessa. A lógica emocional da cena depende do pai falar com os filhos em termos que eles reconhecem, em vez de explicar directamente a importância técnica ou comercial do trabalho.
Colaboração criativa: A separação entre as funções de realização e direcção de fotografia torna este um exemplo particularmente relevante do meu trabalho como realizador. Defini o argumento, o tom emocional e a progressão narrativa, colaborando com Victor Santos na tradução visual dessa intenção e com a equipa de produção na execução prática das cenas.
Pós-produção: A edição e finalização foram concluídas pela FilmesDaMente. Algumas cenas filmadas durante o dia foram transformadas em pós-produção para serem percepcionadas como noite, ajudando a manter a continuidade e a progressão dramática da história. O filme mantém a mensagem corporate dentro da narrativa: a importância do cliente é transmitida através das acções de Luis e da analogia familiar de cumprir uma promessa, permitindo que os valores da Huawei surjam das personagens e do comportamento, em vez de afirmações promocionais.
Go With The Wind — Um Retrato Documental de Marca
“Como pode a vida de uma fundadora revelar a identidade de uma marca sem se transformar num filme promocional convencional?”
Este documentário biográfico acompanha Scarlet, fundadora da marca de moda Go With The Wind, e a forma como o seu percurso pessoal foi dando corpo à identidade da marca. Filmado entre Portugal e Espanha e integrando também material de arquivo, o filme cruza memórias, viagens, referências culturais, artesanato e processo criativo para contar, em paralelo, a história da criadora e o espírito da marca.
Mais do que apresentar uma colecção ou um produto, o filme procura perceber de onde nasce aquela linguagem e como experiência de vida, liberdade, deslocação e encontro com diferentes culturas se transformam numa identidade criativa.
Um olhar sobre o processo de realizaçãoO filme trata a marca como resultado de um percurso vivido, e não como um produto a publicitar.
O filme trata a marca como resultado de um percurso vivido, e não como um produto a publicitar. Memórias pessoais, prática criativa, paisagem e comunidade juntam-se para criar um retrato íntimo da pessoa por detrás do trabalho. A música integra-se com o som ambiente para sustentar uma atmosfera imersiva e conduzir o espectador entre reflexão, movimento e descoberta.
A pessoa antes da marca: A abordagem de realização começa por Scarlet enquanto pessoa — as suas memórias, influências e compreensão da liberdade — e permite que o significado da marca emerja desse retrato. Isto evita o tom de um filme promocional convencional e oferece ao público um ponto de ligação humano.
Estrutura documental: O testemunho pessoal combina-se com observações do trabalho criativo, do lugar e da comunidade. O filme move-se entre biografia e prática actual, utilizando cada elemento para revelar como a experiência se transformou numa filosofia de design.
Tom visual e ritmo: As imagens são construídas em torno da textura, do movimento e de uma relação próxima com os ambientes envolventes. O ritmo mantém a paciência necessária para que a protagonista fale, preservando ao mesmo tempo uma progressão cinematográfica ao longo do formato mais extenso.
Música e atmosfera: A música e o som ambiente são tratados como partes da narrativa, e não como uma camada decorativa. A sua interacção ajuda a ligar diferentes momentos e lugares, mantendo o sentido de liberdade, intimidade e descoberta cultural no centro do filme.
GizmoMusix — Tu És Meu Fado
“Como pode uma memória profundamente pessoal transformar-se numa história visual sem ilustrar a canção de forma demasiado literal?”
Tu És Meu Fado, de GizmoMusix feat. DUI MC, é um videoclip de Fado contemporâneo com uma narrativa ficcional inspirada numa história real vivida pelo compositor: a perda da mãe e a sensação de nunca lhe ter dito, enquanto havia tempo, que a amava — palavras que ficaram por dizer para sempre. A partir daí, desenvolvi uma história sobre perda, arrependimento pelo que não se fez a seu tempo e uma profunda saudade.
A procura e selecção de locais de filmagem serviu para encontrar espaços que complementassem emocionalmente a história, e não apenas para lhe dar um cenário. O videoclip foi filmado nos concelhos de Faro e Loulé, entre a costa e a serra algarvia, e em Lisboa, usando cada lugar para acompanhar diferentes momentos de memória, distância e ausência.
Um olhar sobre o processo de realizaçãoA canção já continha uma história emocional poderosa, mas o filme precisava da sua própria linguagem dramática.
Com total liberdade criativa, desenvolvi o argumento e traduzi o núcleo emocional da canção numa narrativa filmada entre o Algarve e Lisboa. O meu trabalho incluiu scouting de locais, casting, produção local, realização, direcção de fotografia, edição e pós-produção. Introduzi também o rapper DUI MC no projecto, criando um contraponto contemporâneo à linguagem tradicional e à herança emocional do Fado.
Prémio:
- Panasonic Europe — The Lumix Experience My Best Film Contest · Vencedor · 2024
Da música à história: A canção já continha uma história emocional poderosa, mas o filme precisava da sua própria linguagem dramática. O argumento foi por isso desenvolvido em torno de gestos, ausência e memória, deixando espaço para o público sentir a perda em vez de explicar cada parte.
Casting e interpretação: As interpretações foram dirigidas para a contenção. Olhares, pausas e distância física transportam grande parte da informação emocional, ajudando a história a manter-se credível e evitando que as imagens se sobreponham à canção.
Os locais como geografia emocional: Lisboa e o Algarve foram escolhidos não apenas como cenários atractivos, mas como espaços contrastantes através dos quais memória, intimidade e separação pudessem ser expressas. O scouting e a produção local fizeram parte da construção dessa progressão.
Música, ritmo e edição: O Fado fornece a base emocional, enquanto a passagem de rap introduz uma forma de expressão mais contemporânea. O ritmo visual e a edição foram construídos em torno desse diálogo, respondendo ao fraseado musical e preservando a continuidade da narrativa.
Stones on the Path — Um Microdocumentário Centrado nas Pessoas
“Quanto de uma vida pode um filme revelar em sessenta segundos?”
Stones on the Path é um documentário de um minuto sobre Aldomiro Manuel Rocha dos Santos e Pedro da Silva Baptista, dois homens a viver num centro de acolhimento que encontraram na criação de pequenas obras com pedras de rio uma forma de ocupar o tempo, trabalhar com as mãos e dar sentido ao quotidiano. O que fazem não transforma apenas a forma como vivem os próprios dias: cria também pequenos momentos de surpresa, curiosidade e encontro para quem passa e pára para olhar.
Num formato de apenas sessenta segundos, quis centrar o filme na criatividade, no trabalho, na dignidade e na capacidade de construir sentido a partir de muito pouco, sem definir os protagonistas pela adversidade que os levou até ali.
Um olhar sobre o processo de realizaçãoEm vez de definir os protagonistas através da adversidade, o filme centra-se na imaginação, no trabalho e na capacidade de acção pessoal.
A duração de um minuto exigiu uma forma extremamente concentrada de narrativa documental. Fui responsável pela escrita, produção, realização, direcção de fotografia e filmagens de drone, acompanhando o projecto desde a ideia inicial até ao processo completo de produção.
Reconhecimento em festivais: O documentário de um minuto tem 13 reconhecimentos documentados em festivais: cinco prémios ou distinções e oito selecções oficiais adicionais.
Prémios e distinções:
- Festival Ecovídeo Lisboa Natura — Portugal · 1.ª Menção Honrosa · 2020
- MISTER VORKY Film Festival — Sérvia · Grand Prix de Melhor Filme · 2019
- M Film Festival — Portugal · Melhor Filme Português · 2019
- Berlin Flash Film Festival — Alemanha · Vencedor — Annual Overall Category · 2019
- Berlin Flash Film Festival — Alemanha · Vencedor — Micro Short Documentary · 2018
Selecções oficiais adicionais:
- 3in1 Film Fest — Portugal · Selecção Oficial · 2021
- Open Air Filmfest Weiterstadt — Alemanha · Selecção Oficial · 2019
- Big Teeth Small Shorts Film Festival — EUA · Selecção Oficial · 2019
- UnderGround UGFF — Itália · Selecção Oficial · 2019
- PiGrecoZen FilmFest — Itália · Selecção Oficial · 2019
- 27th Croatian One-Minute Film Festival · Selecção Oficial · 2019
- Concurso Europeo de Creación Audiovisual CTL 59 segundos — Espanha · Selecção Oficial · 2019
- Curtas em Flagrante — Portugal · Selecção Oficial · 2018
Compressão e economia visual: Com apenas sessenta segundos disponíveis, cada plano tinha de apresentar personagem, estabelecer contexto ou fazer avançar a história. O processo de realização centrou-se em identificar os poucos gestos e imagens capazes de sugerir um percurso humano muito mais vasto.
Dignidade documental: Os protagonistas não são apresentados como exemplos passivos de pobreza ou exclusão. O filme observa antes a sua habilidade, companheirismo e capacidade de transformar um material comum em arte e possibilidade.
Produção de pequena escala: Trabalhar entre escrita, produção, realização e imagem permitiu manter proximidade com os protagonistas e reagir rapidamente ao que surgia. A produção foi mínima, mas as escolhas narrativas foram deliberadas.
Música e lugar: A canção original foi uma improvisação de um desconhecido encontrado junto ao rio. A sua qualidade imperfeita e espontânea pertence ao mesmo mundo físico e humano das imagens, dando ao filme uma voz musical que não poderia ter sido criada por uma banda sonora genérica.
Lisbon, We Can Enjoy Life! — Realizar um Retrato da Cidade
“Como retratar Lisboa como uma cidade vivida, em vez de uma colecção de postais familiares?”
Lisbon, We Can Enjoy Life! nasceu da vontade de olhar para Lisboa através de quem já cá vivia, mas vinha de fora. Antes de escrever o filme, entrevistei estrangeiros residentes em Portugal sobre a forma como viam e sentiam a cidade.
Um olhar sobre o processo de realizaçãoAs experiências e impressões de vários entrevistados foram condensadas em duas personagens ficcionais distintas: um homem e uma mulher recém-chegados à cidade.
Essas conversas serviram de base à história e à voz das duas personagens. As experiências, impressões e formas de sentir Lisboa de vários entrevistados, homens e mulheres, foram condensadas em duas personagens ficcionais distintas: um homem e uma mulher recém-chegados à cidade, que a exploram através de percursos paralelos. À sua volta, o filme observa habitantes, tradições, encontros quotidianos, locais menos conhecidos e algumas das minhas primeiras imagens aéreas.
Reconhecimento em festivais: O filme tem 19 reconhecimentos documentados em festivais: quatro prémios ou distinções e 15 selecções adicionais ou presenças como finalista.
Prémios e distinções:
- World Wide Virtual Film Festival — EUA · Prémio do Público · 2017
- Arouca Film Festival — Portugal · Melhor Documentário · 2016
- Jahorina Film Festival — Bósnia e Herzegovina · Golden Maple — Melhor Filme Turístico Internacional · 2016
- Wine & Flavours Film Festival — Portugal · Menção Honrosa · 2016
Selecções adicionais e presenças como finalista:
- Jaipur Film World — Índia · Selecção Oficial · 2017
- IBIZACINEFEST · Selecção Oficial · 2017
- Bradford Small World Film Festival — Reino Unido · Selecção Oficial · 2016
- LIFFY — Latino and Iberian Film Festival, Yale MacMillan Center — EUA · Selecção Oficial · 2016
- VIVA Film Festival — Bósnia e Herzegovina · Selecção Oficial / Finalista · 2016
- Sciuridae Film Festival — EUA · Selecção Oficial · 2016
- SEDIFF — Seoul ICARUS Drone International Film Festival — Coreia do Sul · Selecção Oficial · 2016
- FreeNetWorld International Film Festival — Sérvia · Selecção Oficial · 2016
- MINIDOC — Espanha · Selecção Oficial / Finalista · 2016
- II Lucca Film Festival · Selecção Oficial · 2016
- SILAFEST — The International Festival of Tourist and Ecology Film — Sérvia · Selecção Oficial · 2016
- Tourfilm Festival Prague — República Checa · Selecção Oficial · 2016
- Zagreb Tourfilm Festival — Croácia · Selecção Oficial · 2016
- Baku International Tourism Film Festival — Azerbaijão · Selecção Oficial · 2016
- Golden Frames Film Festival — Índia · Selecção Oficial · 2016
Da pesquisa à ficção: As entrevistas realizadas antes da produção não foram utilizadas como testemunhos convencionais de talking head. Em vez disso, as observações e experiências tornaram-se matéria-prima para duas personagens escritas, combinando percepção documental com um dispositivo narrativo ficcional.
Perspectivas paralelas: Os dois recém-chegados permitiram ao filme percorrer diferentes zonas de Lisboa mantendo uma estrutura clara. Os seus pensamentos separados criam um diálogo sobre chegada, descoberta e a possibilidade de pertença.
A cidade como personagem: A direcção visual procura habitantes, gestos, tradições e espaços menos vistos, a par da arquitectura reconhecível. As imagens aéreas ampliam a geografia, enquanto a observação ao nível da rua preserva a sensação de um lugar habitado.
Execução independente: Trabalhei na pesquisa, escrita, realização, direcção de fotografia, captação aérea, edição e pós-produção. Ao acompanhar o filme em todas estas fases, pude manter a mesma linha entre o que ouvi nas entrevistas, a voz das personagens e a forma como Lisboa é observada ao longo do filme.
A Minha Abordagem à Realização
Um realizador é responsável por manter a coerência criativa do filme. O meu papel é ligar o objectivo do projecto à história, interpretação, imagem, ritmo e som — e manter essa intenção desde a primeira conversa até ao corte final.
Conceito, Pesquisa & Tratamento
Definir a ideia central, refinar o brief ou argumento e estabelecer o que o público deve compreender, sentir e recordar.
Actores, Participantes & Pessoas Reais
Criar as condições para interpretações credíveis, entrevistas naturais e uma presença humana genuína — construindo a confiança, o tempo e o espaço que permitem às pessoas revelar algo, em vez de simplesmente representar para a câmara.
Direcção Visual & Produção
Trabalhar com a direcção de fotografia, direcção de arte, locais, guarda-roupa e equipa para que cada decisão visual pertença ao mesmo filme.
Edição, Som & Corte Final
Dar forma à estrutura, ritmo, desenho de som, música, cor e finalização para que o filme se mantenha fiel à intenção original até à entrega.
Realização em diferentes formatos e escalas de produção
Realizo ficção narrativa, documentários criativos e observacionais, publicidade, branded content, videoclipes, filmes corporate e institucionais, projectos culturais e trabalhos híbridos ou assistidos por IA seleccionados. O modelo de produção adapta-se ao projecto. Para produtores, agências e produtoras que procuram um realizador de cinema em Lisboa, posso integrar uma equipa existente ou reunir uma equipa focada e os recursos de produção adequados através de parceiros de confiança em Portugal.
Esta flexibilidade permite manter o processo de realização pessoal e criativamente coerente, dimensionando ao mesmo tempo equipa, equipamento e logística às necessidades reais de cada filme.
Vamos Dar Forma ao Seu Próximo Filme
Fale-me da ideia, do público a que se destina, do formato e do contexto de produção. Posso entrar no projecto durante o desenvolvimento criativo, realizar dentro da sua estrutura de produção existente ou ajudar a reunir a equipa focada e os recursos necessários.
Realizador, Filmmaker, Produtor & Director de Fotografia (DoP)
Baseado em Lisboa · Disponível para projectos em Portugal, Europa e em todo o mundo.

